AS LIÇÕES DO CORONAVÍRUS PARA AS EMPRESAS

Não estava na nossa programação, aliás, nem nos nossos piores sonhos essa pandemia causada pelo Covid-19 que, em pouco tempo, nos tirou de nossa zona de conforto, de nossos empregos e de nossas atividades de convívio, seja com nossa família, amigos ou em nossos momentos de lazer.

Mas em todos os momentos, bons ou ruins, sempre há lições que conseguimos extrair. Uma delas é a de que não existe uma base que não possa ser estremecida ou alterada, afinal a todo momento recebemos notícias, previsões, estatísticas e exemplos de outros países, e isso, certamente, mexe com as estruturas de nossas vidas, quer seja perante o trabalho ou a família.

Outra lição é a preservação da vida, a qual deve estar sempre em primeiro lugar, não importa o custo. Aliás, para ser mais preciso, quando percebemos um real risco de perda de quem mais amamos, nossos familiares, pais, mães, avós, cônjuges, filhos, netos ou amigos, não há nada que nos mova com mais intensidade do que a proteção a estes.

Quando sentimos que estes estão a salvo ou seguros, nossa preocupação se volta para manter a sobrevivência, garantir a renda que provém a família, seja pela fonte de nosso emprego ou de nossos negócios. Nesse sentido, retomo o foco das possíveis maneiras e medidas para salvar uma empresa, atingida abruptamente por este momento de pandemia em que muitas atividades foram “mortalmente” atingidas e outras, por ora, apenas “feridas”.

Será que o estremecimento, a situação financeira caótica de nossas empresas, num momento de total estagnação, também nos gera lições? Minha resposta é sim, e muitas! Pois apesar de serem advindas de fatos nada agradáveis, sempre podemos extrair novos aprendizados e amadurecimento de nossas atitudes profissionais.

Dentre essas lições, a começar pelos negócios mais prósperos, bem administrados e lucrativos, nunca podemos pressupor que uma crise não chegará até ele. Muitas crises decorrem de fatores externos, tais como crises políticas ou econômicas ou de variáveis que não podem ser previstas, catástrofes, pandemias, entre outras. Portanto, a boa estratégia nos negócios, não importa seu tamanho, deve sempre conter um plano de contingência financeira, ou seja, ter previsões e reservas em seus fluxos de caixa para emergências, evitando, dessa forma, que em momentos difíceis tenha que se recorrer a empréstimos, venda de patrimônios (empresariais ou pessoais) ou até mesmo, a quebra do negócio.

Temos ainda, a lição da transformação. Muitos negócios podem se manter vivos, mesmo com as portas fechadas. Foi incrível o novo conceito que aprendemos com a obrigação de adotarmos o distanciamento social, aplicado também aos negócios. Vimos que é possível trabalhar na modalidade home office e que reuniões podem ocorrer de modo virtual, assim como podemos transformar, em curto espaço de tempo, nossos negócios e conceitos para se adequar a uma realidade desconhecida. Assim como muitos migraram para a prestação de forma virtual, como o caso de contadores, advogados, médicos, serviços de TI, outros, como no caso de restaurantes, passaram também a oferecer seus serviços via delivery. Um antigo provérbio bíblico já dizia: “Quando Deus fecha uma porta ele sempre abre uma janela”. Nunca houve tanta oferta por cursos virtuais, escolas se adaptaram para aulas a distância, muitas atividades saíram da sua zona de conforto e identificaram que há um novo mercado a ser explorado.

E mais, mesmo os negócios que foram de uma hora para outra paralisados, por não serem essenciais ao “conceito imposto pelos comitês de crise”, percebemos que são importantes numa economia, afinal, eles não coexistem de forma isolada, e sim, complementar. Por essa razão, é necessário haver um esforço maior para compensar aqueles que tiveram injustamente a atribuição de não essencialidade, pois quando observamos sua inatividade, mesmo que por um breve espaço de tempo, vemos o quanto são importantes para a sociedade e o impacto que essa paralização pode causar.

Como exemplo para não ficar numa retórica já endoidecida pelo confinamento, uma indústria dita “essencial”, que produz alimentos para se manter em funcionamento, apresenta em seu processo uma grande quantidade de fornecedores e prestadores de serviços essenciais para a finalização do mesmo. Desde os fornecedores de insumos, de embalagens, da matéria-prima até o fornecimento de alimento aos funcionários e terceiros, da manutenção de seus equipamentos, segurança, limpeza, transporte, os setores administrativos para a logística de compras, vendas, coordenação. Enfim, a economia não sobrevive de forma isolada, estamos todos conectados.

Podemos concluir que não há crise que não possa ser resolvida! Algumas levam mais tempo, demandam de uma dose maior de esforço, paciência, mais negociação e engajamento.

A solidariedade e a preocupação com esses negócios, atingidos de forma tão brutal em um momento que assola nosso país e também o mundo, é fundamental.

Portanto, seja a atividade essencial ou não, podemos tirar com a última lição que uma empresa não é apenas formada pelo seu proprietário ou acionistas, e sim, pelo conjunto de funcionários, fornecedores, prestadores de serviços. O engajamento de todos na busca de alternativas para amenizar a crise, quer pelo empenho no trabalho, aumento de horas dedicadas para compensar o tempo perdido, complacência e/ou negociação, fará a diferença para superar esse momento de turbulência e crise financeira.

Por Mara Denise Poffo Wilhelm
25 de Março de 2020

 

 

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