KPMG compra operação da BDO no Brasil por R$ 150 milhões

A empresa de auditoria e consultoria internacional KPMG, presente em 144 países, vai anunciar em breve a compra de 100% da operação brasileira da BDO, a antiga Trevisan Auditores. Negociada há pelo menos seis meses, a empresa de auditoria foi avaliada em cerca de R$ 150 milhões, segundo o Estado apurou.

É a segunda aquisição de uma companhia local do setor por uma multinacional em menos de um ano. Em agosto do ano passado, a britânica Ernst & Young, concorrente da KPMG, anunciou uma fusão com a Terco, criando uma nova companhia com faturamento conjunto estimado em R$ 650 milhões.

A Trevisan Auditores uniu-se à BDO em 2004. Há três anos, Antoninho Marmo Trevisan, fundador da companhia em 1983, vendeu sua parte para os sócios e a empresa passou a se chamar apenas BDO.

A companhia ocupava o quinto lugar no ranking do setor, atrás de PricewaterhouseCoopers, Deloitte, Ernst & Young e KPMG. É forte em pequenas e médias empresas, mas também tem clientes com capital aberto em bolsa. Em 2010, seu faturamento foi de R$ 115 milhões. No ano fiscal terminado em 30 de setembro do ano passado, a KPMG teve um faturamento de R$ 538 milhões no Brasil. Juntas, portanto, as duas companhias somam faturamento muito semelhante ao da também recém-criada Ernst & Young Terco.

A antiga Trevisan tinha 28 sócios e 1.200 profissionais espalhados por 18 escritórios no País. Apenas um sócio não vai migrar para a KPMG. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, esse sócio será responsável pelo processo de transição na empresa que passará a fazer parte da rede global de auditorias BDO no Brasil, que funciona como uma espécie de franquia. Ou seja: a BDO não compra a estrutura, mas empresta seu nome ao parceiro local.

O empresário Antoninho Marmo Trevisan ganhou notoriedade depois do início do governo Lula, seu amigo pessoal. Nos primeiros anos de mandato do ex-presidente, a Trevsian apresentou forte crescimento. Em 2002, antes de Lula chegar ao poder, a companhia faturava cerca de R$ 40 milhões. Dois anos mais tarde, as receitas da Trevisan já tinham dobrado. O fundador da empresa de consultoria e auditoria era considerado no meio político uma espécie de “conselheiro informal” do ex-presidente.

Estratégia. Com a venda da antiga Trevisan para a KPMG, a BDO começou a procurar o parceiro que faria parte da rede no Brasil. Ontem, o novo nome foi anunciado. Trata-se da RCS Auditores Independentes, que passará a se chamar BDO RCS Auditores Independentes.

Criada em 2005 por Raul Correa da Silva (que também foi cofundador da Terco), a RCS cresceu rapidamente nos últimos anos ao costurar duas fusões e focar em pequenas e médias empresas. “Um movimento como esse areja o mercado, que é muito concentrado na mão de poucas empresas”, diz Correa.

O empresário calcula que cerca de 80% do mercado esteja atualmente na mão das quatro multinacionais. “O Brasil vive um momento econômico muito importante. Por isso, a procura por esse tipo de serviço cresceu, assim como a aposta das grandes no mercado local.” / COLABOROU FERNANDO SCHELLER

Patricia Cançado

Fonte: O Estado de S. Paulo

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