Público é contra medidas, diz presidente do Ibracon

Por Fernando Torres | De São Paulo

As propostas de regulação do mercado de auditoria que devem ser apresentadas para discussão na União Europeia não têm respaldo nas respostas recebidas em um processo de consulta pública promovido pela própria Comissão Europeia neste ano, destaca Ana María Elorrieta, presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).

“Não existe suporte a essas ideias, seja entre acadêmicos, auditores, membros de conselhos de administração e até reguladores. Se pretendem avançar com a proposta, parece que estão ignorando as informações que receberam”, afirma Ana María, com a ressalva de que não teve acesso ao esboço da proposta, que deve ser apresentada em novembro.

Ao ser questionada sobre o que levaria a Comissão Europeia a apresentar uma proposta que contraria a percepção captada durante audiência pública, a presidente do Ibracon avalia que a motivação pode ser política.

Ela fala que as entidades profissionais e os auditores estão dispostos a tomar medidas que possam melhorar a qualidade do trabalho. “Mas desconheço qualquer prova de que essas propostas contribuam para esse objetivo”, diz a presidente do Ibracon, sobre as mudanças sugeridas, como restrição total a serviços de consultoria, rodízio obrigatório de firmas a cada nove anos (no Brasil o prazo é de cinco anos) e auditoria dupla para grandes empresas. “Minhas leitura é que elas não têm a efetividade que se busca.”

Ana María faz questão de ressaltar também que se está falando de um rascunho de uma proposta – que ainda será levada a discussão. “É difícil fazer conjecturas sobre aquilo que não existe. A proposta formal é esperada para novembro e só então será discutida pelo parlamento europeu”, diz a representante, que prevê que o processo de aprovação deve levar cerca de um ano.

A presidente do Ibracon lembra também que em 2005, quando foi discutida a atual regulamentação para as firmas de auditoria na União Europeia, houve bastante mudança entre o texto originalmente apresentado e o que foi efetivamente aprovado.

Fonte: Valor Econômico

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