Sob pressão, firma manterá consultoria

Por Financial Times, de Londres

A KPMG International prometeu manter unidos seus braços de auditoria e consultoria, diante de uma proposta regulatória enérgica da Comissão Europeia que aumentou a possibilidade de um desmembramento das quatro maiores firmas de auditoria do mundo, as chamadas “Big Four”.

A quarta maior rede de contabilidade do mundo em receita – atrás de PwC, Deloitte e Ernst & Young – aludiu até mesmo à possibilidade de abrir mão de parte das operações de auditoria para evitar a proibição da prestação de outros serviços a clientes de auditoria.

Michael Andrew, presidente da KPMG International, disse ao “Financial Times” que os benefícios de uma operação integrada de auditoria e consultoria são mais importantes que “qualquer cenário alternativo”. Ele disse: “Seremos uma firma multidisciplinar, não importa qual será o ambiente regulador”.

Detalhes do esboço das regras que vazaram no mês passado dão conta de que Bruxelas estaria contemplando uma reestruturação radical da profissão de auditoria, que vem sendo criticada por não ter se esforçado mais para alertar os investidores sobre a crise.

O esboço de uma medida poderá obrigar uma rede que ganha mais de € 1,5 bilhão (US$ 2,1 bilhões) por ano em auditorias na União Europeia a desmembrar seu braço de consultoria. A proposta poderá não ser transformada em lei, mas Andrew disse que essa reforma hipotética está “criando um ambiente de incerteza entre nosso pessoal.”

Ele também atacou uma proposta da Comissão de forçar as Big Four a dividir parte dos trabalhos de auditoria com concorrentes menores. “Você consegue imaginar uma firma do segundo escalão auditando um banco global num momento em que já há uma falta de confiança no mercado?” Ele acrescentou: “Elas simplesmente não têm capacidade ou conhecimento de mercado”.

Ele também acusou alguns concorrentes menores de serem “muito preguiçosos” nos investimentos em seus negócios.

Os comentários de Andrew provocaram uma resposta hostil das concorrentes do segundo escalão. A Mazars, que já é uma auditoria conjunta de algumas instituições financeiras francesas (onde as companhias abertas já são auditadas por duas firmas), disse que os “oligopólios” são o verdadeiro local de procriação da preguiça. E acrescentou: “Falhas recentes mostram que a qualidade não é uma questão de tamanho”.

James Roberts, sócio sênior de auditoria do braço britânico da BDO, disse que a firma estará pronta para participar das maiores auditorias conjuntas quando as novas regras da União Europeia entrarem em vigor, provavelmente na metade de 2013. “Há tempo para ganhar essa experiência.” (AJ)

Fonte: Valor Econômico

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