Supervia, empresa de trens urbanos no Rio, pede recuperação judicial

A Supervia, empresa de trens urbanos do Rio de Janeiro, entrou hoje com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Com dívidas que somam R$ 1,2 bilhão, a companhia tem como principais credores o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Light, que juntos têm a receber cerca de 85% do total devido pela concessionária. O banco de fomento tem pouco mais de 70% do total, enquanto a Light é credora de 13% das dívidas da Supervia. Outra parte relevante do endividamento está em debêntures de infraestrutura. O processo foi distribuído por sorteio para a 2ª Vara Empresarial do Rio.

A assessoria jurídica à Supervia no processo de recuperação é do escritório Galdino & Coelho, enquanto a assessoria econômica está a cargo da Alvarez & Marsal.

A empresa é controlada pela Gumi Brasil, subsidiária integral da Guarana Urban Mobility (Gumi), consórcio liderado pela Mitsui e que tem ainda a West Japan Railway Company e o fundo japonês de infraestrutura Join.

O presidente da Supervia, Antônio Carlos Sanches, ressalta que a empresa viu a demanda diária cair de 600 mil passageiros antes da pandemia para 300 mil agora. No pior momento, durante a primeira onda, foram transportados em média 190 mil passageiros por dia. Agora, poderá se proteger até a retomada da demanda.

“Estamos há 14 meses em situação bem crítica, delicada”, afirma Sanches. “Depois de 14 meses, chegou num limite, não tem mais de onde tirar”, acrescenta.

Segundo ele, foram 102 milhões de passageiros que deixaram de ser transportados em 14 meses, o que levou a uma perda de R$ 474 milhões em receitas com tarifa. Sanches afirma que a companhia nesse período reduziu despesas de diversas maneiras, como por exemplo com a retirada de 30 trens de circulação. Ainda utilizou ferramentas como redução de jornada de trabalho e renegociação com bancos, mas depois de conversa com os acionistas, decidiu-se pela recuperação judicial.

Sanches ressalta que a companhia vive do dinheiro arrecadado com a venda de passagens, uma vez que os contratos no Rio não preveem subsídio tarifário. Inicialmente, a Supervia esperava a recuperação do volume de passageiros no início deste ano, mas a chegada da segunda onda da covid-19 frustrou as expectativas e hoje a empresa estima que apenas em 2023 deverá retomar o fluxo de 600 mil passageiros por dia.

Atualmente, a Supervia atende a capital do Estado do Rio de Janeiro e outros 11 municípios da região metropolitana através de uma malha ferroviária de 270 quilômetros dividida em cinco ramais, três extensões e 104 estações.

Fonte: Valor Econômico

Compartilhar

Share on linkedin
Share on facebook
Share on twitter