Latam questiona plano de recuperação como credor

O presidente da Latam no Brasil, Jerome Cadier, disse ao Valor que a companhia decidiu questionar na Justiça o plano de recuperação judicial da Avianca Brasil porque é credora da empresa aérea e não vê perspectiva de pagamento.

Na segunda-feira, a Latam apresentou à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo objeções ao plano de recuperação judicial da Avianca Brasil. No documento, a companhia considerou o plano de recuperação judicial “lacônico, com relação à viabilidade das medidas e perspectiva de valores que serão captados”.

A Latam prestou à sua concorrente serviços de manutenção de aviões. Cadier disse que a dívida é de R$ 2,8 milhões. “A manifestação foi nesse contexto. A Latam não vê sinalização de que haverá uma solução para reaver esse valor”, afirmou o executivo.

Em relação a um potencial interesse da Latam em fazer uma oferta pelos ativos da Avianca Brasil, Cadier disse que tem a obrigação, como presidente da aérea, de avaliar ativos no mercado. “Tenho que avaliar ativos. Mas o caso da Avianca Brasil envolve muitas incertezas jurídicas e regulatórias. Se a Latam tivesse muito interesse, já teria feito uma proposta”, afirmou.

Até o momento, apenas a Azul fez uma proposta para adquirir a empresa que será criada pela Avianca Brasil, por US$ 105 milhões. Essa empresa será leiloada para o pagamento de dívidas. A Latam questiona a fixação de uma multa compensatória para a Azul de 15% do valor do lance vencedor, caso outra empresa vença o leilão.

“A multa eleva o valor da proposta e limita o interesse de outras empresas”, afirmou Cadier. Na avaliação da Latam, a multa é abusiva e foi imposta no plano para conceder vantagem à Azul na disputa.

Cadier disse ainda que casos como o da Avianca Brasil precisariam ser solucionados com mais rapidez. “A empresa precisaria ter respeitado a Convenção da Cidade do Cabo e devolvido os aviões. Se tivesse feito isso em dezembro, teria sido duro para a empresa, mas ela já teria evoluído no processo de recuperação judicial. De dezembro para cá a situação só ficou mais complicada”, afirmou o executivo.

Quando entrou em recuperação judicial, em dezembro de 2018, a dívida da Avianca Brasil era de R$ 493,9 milhões. Esse valor foi atualizado para R$ 2,7 bilhões. Cadier observou que também cresceu o volume de bilhetes emitidos pela aérea e que terão de ser cancelados com o anúncio do fim de 21 rotas a partir de abril. “As coisas estão a cada dia mais nebulosas para a Avianca Brasil”, disse.

Na avaliação da Latam, “a irrecuperabilidade da Avianca” fica ainda mais evidente quando a empresa informa no plano que pode pegar novos empréstimos com a Azul para pagar despesas correntes, como salários e outras obrigações trabalhistas.

Fonte: Valor Econômico (via TMA Brasil).

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