Sem cultura de compliance, pequenas empresas podem ter grandes problemas

Pequenas empresas — e conglomerados pujantes também — podem ter grandes problemas caso não desenvolvam culturas de compliance sólidas. Essa foi a principal conclusão dos painelistas na discussão sobre compliance sob medida, durante o 2º Encontro de Compliance do Grupo J&F, nesta segunda (6/12). O evento continua com dois debates diários até quinta-feira (9/12). A participação é gratuita, e o JOTA fará a cobertura diária. Confira as palestras dos próximos dias.

“Cada empresa tem seu risco, cada empresa tem suas características”, disse o advogado Luciano Dequech, CCO da Copagaz e coordenador do curso de Compliance na pós-graduação do Insper. Para ele, o primeiro passo na construção de uma estratégia é fazer uma análise de todos os riscos do negócio. “Cada empresa tem que ter um tipo de programa de compliance, respeitando a sua própria natureza.”

Buscando reforçar a ideia de que não existe programa de compliance universal, Camila Farani, sócia-fundadora da G2 Capital, membro do conselho do PicPay e investidora do programa Shark Tank Brasil, exemplificou: “O próprio colaborador que durante algum tempo não está performando de acordo com a cultura se sente um peixe fora d’água”. Para ela, as lideranças de uma organização devem atuar dando exemplo, seja dos princípios da governança, do compliance ou da cultura.

Roseli Marinheiro, fundadora da consultoria RM-SHR, apontou o engajamento dos gestores como a primeira condição, pedra-fundamental de qualquer programa de compliance sério e efetivo. O segundo ponto, de acordo com a consultora, é “compreender as variáveis que impactam na vontade das pessoas de fazerem o certo”. A partir da fala de Marinheiro, Luciano Dequech complementou: “O bom compliance é aquele que realmente permeia na pessoa e ela vai fazer o que é certo porque está naturalmente influenciada por aquela cultura.”

Sigla recorrente em cursos de MBA e discursos corporativos, o conceito de ESG (do inglês, governança social, ambiental e corporativa) por vezes não se traduz à prática de forma eficaz. Mas por que se tornou tão forte? “Porque ninguém aguenta mais” desrespeitos ao meio ambiente, casos de racismo, desigualdade de gênero e outros temas relacionados, resumiu Farani, buscando uma conexão entre a teoria e o cotidiano. “Mas é óbvio que você não vai conseguir fazer uma ruptura de um dia para o outro, é um processo”, ela continuou. “Eu vejo um processo evolutivo.”

E para construir uma visão completa sobre o contexto em que a organização está inserida, é necessário não só praticar a escuta ativa dos stakeholders, mas também contratar colaboradores que representem diferentes visões e experiências de vida. Eis por que o tema da diversidade, segundo os painelistas, não é apenas demanda de minorias sociais, mas também uma vantagem competitiva em potencial. “A gente precisa ter a capacidade de entender o poder da fala de cada um, o contexto de cada um”, disse Marinheiro.

Amarrando o debate, Farani destacou a importância de criar mecanismos de renovação de líderes engajados e que conduzem pelo exemplo, levando em consideração os benefícios da diversidade de olhares. “O líder só é líder quando forma novos líderes”, afirmou a investidora. “Eu preciso ser cada vez mais transparente, eu preciso cada vez mais respeitar.”

Fonte: JOTA

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